Curso Online - Literatura

CURSO ONLINE “LITERATURA E ENSINO: COMO ANALISAR GÊNEROS NARRATIVOS E CRIAR SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS?”

Desde o final do ano de 2019 eu já planejava criar um curso que abarcasse a maioria dos elementos estruturais da narrativa, pois sempre foi difícil encontrar cursos na modalidade online que tivessem um conteúdo que partisse da teoria da literatura, mas que incluísse também a parte prática, em como aprimorar as aulas de literatura em sala de aula, principalmente para o Fundamental II, que geralmente é um segmento não tão visto na questão de projetos de leitura.⁣

Com isso, durante o mês de dezembro inteiro eu me debrucei em estruturar um curso (a ideia inicial era de disponibilizar apenas presencial, pela extensão dos conteúdos), mas percebi que é necessário que mais pessoas tenham acesso e que a internet possibilita essa difusão por um preço acessível.⁣ Veja abaixo os conteúdos do curso e para quem se destina:

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A plataforma Udemy tem como política difundir cursos online com preços populares para que o maior número de pessoas possam fazer esses cursos sem perder a qualidade. Depois que eu terminei de montá-lo, uma equipe analisou esse curso e autorizou a publicação.⁣

As 4 primeiras aulas estão disponíveis gratuitamente. Você pode acessar o link, assistir as aulas sem compromisso e se você gostar do modelo das aulas e dos conteúdos pode realizar a compra para garantir o certificado. A Udemy tem aplicativo para Android e IOS.⁣

Você terá acesso a mais de 2 horas de aulas em vídeo, material complementar para download, indicações de leituras, um modelo de sequência didática e no final do curso o certificado de conclusão.

Se tiver alguma dúvida, só escrever nos comentários 😊
Até a próxima!

Agnes 🙂

Livros

Como analisar um texto narrativo?

Sempre que quero ler um texto e tentar decifrar ao máximo os nuances, a estrutura, como o autor construiu a narrativa e gerou determinados efeitos, eu costumo seguir esse checklist. Fazer perguntas para o texto (romance, conto, crônica…) é essencial para identificar os implícitos, o que está em uma camada mais profunda.

Tenho certeza de que a sua leitura será muito mais prazerosa se você seguir esse esquema de análise. Só lembrando que existem vários tipos de análise e você pode moldar a sua leitura da forma como desejar. 😊⁣

Post Bege e Branco de Dia do Trabalho para Instagram

Curso online –  Literatura e Ensino: Como analisar gêneros narrativos e criar sequências didáticas?

 

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Até a próxima!

Agnes 🙂

Literatura Russa · Resenhas

“A morte de Ivan Ilitch” – Tolstói

[A morte como alcance da consciência]⁣

” […] Você não vê, mas ele é um homem morto, veja o seus olhos. Não tem luz. […]”⁣

Sim, a vida existiu, mas eis que está indo embora, e eu não posso detê-la. […] Existiu luz e agora é treva. ” (A morte de Ivan Litch)⁣

Observa-se nessa novela de Tolstói em como que a estrutura desse texto e as escolhas do narrador são imprescindíveis para a construção e desenvolvimento do personagem principal. Com um título peculiar já anunciando um “spoiler”, vemos o florescer da consciência no personagem. A narrativa inicia de forma inovadora. O foco está nos diálogos dos personagens que participam do velório de Ivan Ilictch, os olhares, os consolos, a alegria de ver que não foram eles e sim Ivan que está ali no caixão. Isso já sugere que o texto quer trazer uma crítica sútil a essa tema que ainda é um tabu. ⁣

Na segunda parte temos o relato do narrador, contando como foi a vida de Ivan, a sua visão superficial e materialista da realidade, até um fatídico acidente que o levará ao declínio.⁣

Na terceira e última parte, outra mudança…Agora o narrador entrega ao leitor a voz do personagem, seus pensamentos, seus delírios, sua dor diante da realidade. A doença causou-lhe o despertar da consciência; quanto mais perto da morte, mais consciente das suas ações, de suas dores físicas e emocionais. Aqui, os opostos entre luz e escuridão são interpostos. Ivan só enxerga a sua condição quando seus olhos estão desfocados, sem luz, e ele está mergulhado nas trevas. A doença rouba-lhe a vitalidade, mas devolve a sanidade.⁣

É um texto muito bem escrito, minha primeira experiência com Tolstói e com certeza não será a última. Esse tema da morte ainda é sensível de ser conversado entre as pessoas, então a Literatura serve como intermediário nesse assunto. Como nós enxergamos a morte? Será preciso chegar até o estado do personagem, na completa falta de luz para vermos o que está a nossa volta?⁣

Até a próxima!

Agnes

Projetos

#2 Oficina Literária : A mulher e a maternidade nos contos de Lygia Fagundes Telles e Júlia Lopes de Almeida

As festividades estão chegando e nelas o desejo de celebrar o ano que passou, ansiar pelo novo, relembrar as tristezas, as alegrias, os momentos em que permanecemos mais fortes. E com esse intuito, resolvi fazer a #2 Oficina Literária online e gratuita para conversamos sobre Natal e Literatura. Seus símbolos, representações e nada mais justo do que lermos contos de escritoras brasileiras.

Nessa época temos milhares de contos natalinos representando a caridade, o amor ao próximo, o nascimento de Jesus ao redor do mundo. E no Brasil? Como que as escritoras de diferentes séculos enxergavam essa época? Quais eram as dores que elas carregavam? Como as personagens eram representadas?

Essa oficina vai se pautar nas questões da mulher e da maternidade nesses dois contos.

Em Júlia Lopes de Almeida, no conto “Os porcos”, o nascimento será um grande marco na vida da personagem, mesmo diante de todas as repressões impostas pela sua cor e posição.

Já em Lygia veremos a sensibilidade dessa escritora que já me conquistou com sua escrita sensível que atinge de maneira certeira os leitores. Nesse conto, o nascimento já é algo definido, mas a atmosfera do Natal trará uma mensagem que transpassa a nossa noção de como enxergamos a vida. Ambas escritoras trazem nos seus contos características únicas e eu te convido a participar dessa conversa sobre eles. 😊

Para participar é só se inscrever na newsletter por esse link http://eepurl.com/gD7p_H, e quem já está inscrito é só aguardar o e-mail com mais informações. A data já está marcada: dia 20.12.2019 às 18h no YouTube. Espero por você! 🤩

Até a próxima!

Agnes

#oficinaliteraria #literaturacomparada #contos

Literatura Inglesa · Resenhas

“Drácula” de Bram Stoker e a beleza da mulher morta

A representação desse livro na cultura pop e os seus desdobramentos até hoje não são por acaso. A figura do vampiro é um ser que desperta nos leitores muitas sensações de fascínio e terror. Escrito em 1897, por Bram Stoker, Drácula traz muitos temas referentes a época na Inglaterra, principalmente com o espírito do “fim do século” e a ascensão da tecnologia e da aproximação do estrangeiro, do novo sendo um contraste ao tradicionalismo.

O Conde Drácula é uma figura que assusta, que intimida, e mesmo não estando presente em praticamente toda a narrativa, a sua onipresença é constante. Há no enredo uma aura misteriosa, sufocante, principalmente com a presença da neblina, dos sonhos, do morcego e de outros elementos.

Escrito por meio de cartas, diários, notícias de jornais, Drácula além da figura misteriosa do conde, também traz personagens femininas que são em vários momentos o centro da narrativa. Tanto Lucy, como Mina, são mulheres que são vistas pelos personagens masculinos como delicadas, frágeis e como seres de luz.

No momento em que começam as mudanças, principalmente em Lucy, uma jovem muito apreciada pelo grupo, há uma mudança na visão da personagem. O ato de se transformar aos poucos em um ser demoníaco ao mesmo tempo que encanta por sua beleza e sedução, proporciona momentos de terror aos personagens e isso só é encerrado quando o grupo de personagens atacam-na. Antes, logo quando a personagem parece “morta” é nítida a adoração que se tem diante da beleza da personagem e da cor branca representando a pureza. Se pesquisarmos em outras obras veremos que esse tema é recorrente. “Ofélia” de Hamlet, por exemplo, traz esse estigma da mulher enquanto morta representar a beleza divina, a pureza, como se os sofrimentos passados e o acesso de loucura da mesma não tivessem importância. Ela é imposta como um objeto a ser admirado, como ideal.

Já em Drácula, vemos a beleza de Lucy sendo exaltada diante do túmulo:
“Fomos juntos até o leito e erguemos a mortalha do rosto dela. Deus! Como estava linda! Cada hora parecia acentuar sua beleza. Aquilo me deixou um tanto assustado e espantado.”

E você? Conhece alguma obra sobre esse tema?

Até a próxima!

Agnes

Literatura Inglesa · Resenhas

“A dama no espelho – uma reflexão” de Virgínia Woolf e o realismo

Escrito em 1929 em uma fase mais experimental de Woolf, esse conto inicia com um narrador peculiar. Ele se impõe como “one” que na nossa língua refere-se ao “nós” ou como “a gente”. Sugerindo assim um narrador em terceira pessoa mais algum desconhecido, talvez.

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O mais interessante é que esse narrador descreve somente os objetos, com ênfase ao espelho, e os espaços e só depois que seremos apresentados a protagonista Isabella, uma senhora de idade, rica que vive nessa casa com um belo jardim.

 

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Porém, nessa atmosfera cotidiana, esconde-se algo importante e essencial. Aqui, Virgínia Woolf faz uma crítica ao realismo e a descrição exacerbada do ambiente em detrimento aos estados mentais da personagem.

As obras da escritora são pautadas nesse rompimento com o tradicionalismo, com essa visão plastificada da realidade. Em consequência disso, apenas no final do conto que teremos um vislumbre da psique da personagem: “Aqui estava mulher em si. (…) E não havia nada. Isabella estava perfeitamente vazia.” Essa concepção vem de encontro também com um ensaio escrito pela mesma chamado “Mr Bennett e Mrs. Brown”, em que a escritora crítica os escritores da época por não valorizarem os estados mentais dos personagens, dando mais importância ao ambiente: “Eles reproduzem todas as aparências externas (…). A coisa mais importante é compreender o seu caráter, mergulhar na sua atmosfera.”

 

E vocês? Concordam com Virgínia Woolf? Que é necessário que os escritores destaquem mais os estados mentais dos personagens, do que a descrição dos espaços? 😊

Até a próxima!

Agnes 🙂

Literatura Inglesa · Resenhas

“A Senhora de WildFell Hall” de Anne Brontë e o genêro epistolar

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Uma das características mais marcantes nesse livro, além da construção dos personagens e das questões abordadas, principalmente no quesito da independência das mulheres, que não era algo comum no século XIX, relaciona-se a estrutura desse romance.

Logo de início percebemos que ele é dividido em duas partes. Na primeira temos uma troca de cartas entre os amigos Gilbert e Halford, e diante dessas cartas há o desenvolvimento do enredo. Conhecemos toda a história da misteriosa senhora de Wildfell Hall e como o protagonista se envolve com ela. O mais interessante é que chega uma determinada parte do livro que parece que esse gênero se desfaz, pois no gênero Epistolar há certas características formais, no entanto, a narrativa vai além de contar o que o personagem vê e sente. Existe nela os diálogos “fidedignos” de outros personagens, descrições dos cenários. É como se o livro em formato de cartas fosse apenas uma camada superficial para desenvolver a narrativa e a complexidade dos seres fictícios.

Antônio Cândido afirma que esse gênero presente nos livros indica, “(…)entre as suas características, a proximidade maior com o leitor, que parece estar vendo a realidade se formar à medida que o missivista escreve”. Esse gênero que se mistura com a narrativa era muito comum na época (Frankenstein, Drácula, Pâmela), são alguns dos romances no formato de cartas que alcançaram muitos leitores. Trocar cartas naquele tempo era muito comum. E ter esse gênero presente nos romances aproximava o leitor da sua realidade, era verossímil.

E na segunda parte do romance de Anne Brontë temos um outro gênero presente, o diário. Como o protogonista não tinha acesso aos pensamentos e desejos da personagem Helen, era necessário algo para contar o ponto de vista da personagem. Naquela época, ainda não tínhamos os narradores oniscientes em terceira pessoa tão difundidos, e essa era a melhor saída para o escritor tentar passar um pouco dos pensamentos dos personagens de forma realista.

Até a próxima!

Agnes 🙂