[Anne Brontë e o seu romance de formação]

Essas semanas têm sido difíceis para manter a concentração, principalmente na leitura de livros mais extensos. Esse romance foi o primeiro que eu consegui ler inteiramente nesse mês de abril.
E falar sobre as irmãs Brontës é sempre chover no molhado, o talento, a linguagem e a inovação dos temas são constantemente destacados.
Da Anne eu já tinha lido o “Senhora de Wildfell Hall”, que é maravilhoso, mas no “Agnes Grey” me senti muito mais próxima da protagonista. O talento de Anne, assim como o de Charlotte para contar narrativas em primeira pessoa impressiona. Por mais que o leitor não tenha uma visão panorâmica e acesso aos pensamentos mais íntimos dos personagens, a forma como é descrita as sensações, os espaços, as mudanças da personagem me aproximaram muito de todo o enredo.
E um dos destaques é o desejo da personagem Agnes na busca de independência financeira, mesmo passando por várias adversidades sendo governanta. O desejo de não se limitar ao lar e as convenções da época trouxe a narrativa uma leveza e fluidez, e a perseverança da personagem em não desistir do seu sonho. “Se a mente fosse bem cultivada e o coração bem disposto, ninguém se importaria com o exterior.” Nessa narrativa passamos pela infância, juventude e vida adulta de Agnes Grey e percebemos o quanto a personagem cresce e se desenvolve. Aprende com os erros e acertos, e temos um final esperançoso.
Os laços que nos ligam à vida são mais fortes do que a senhorita imagina, ou que imagina qualquer pessoa que não tenha sentido a força com que alguém pode ser arrastado sem se romper. (…) pág. 162
Recomendo muito essa leitura.













