Literatura Inglesa

Agnes Grey – Anne Brontë

[Anne Brontë e o seu romance de formação]⁣


Essas semanas têm sido difíceis para manter a concentração, principalmente na leitura de livros mais extensos. Esse romance foi o primeiro que eu consegui ler inteiramente nesse mês de abril.⁣

E falar sobre as irmãs Brontës é sempre chover no molhado, o talento, a linguagem e a inovação dos temas são constantemente destacados.⁣

Da Anne eu já tinha lido o “Senhora de Wildfell Hall”, que é maravilhoso, mas no “Agnes Grey” me senti muito mais próxima da protagonista. O talento de Anne, assim como o de Charlotte para contar narrativas em primeira pessoa impressiona. Por mais que o leitor não tenha uma visão panorâmica e acesso aos pensamentos mais íntimos dos personagens, a forma como é descrita as sensações, os espaços, as mudanças da personagem me aproximaram muito de todo o enredo.⁣

E um dos destaques é o desejo da personagem Agnes na busca de independência financeira, mesmo passando por várias adversidades sendo governanta. O desejo de não se limitar ao lar e as convenções da época trouxe a narrativa uma leveza e fluidez, e a perseverança da personagem em não desistir do seu sonho. “Se a mente fosse bem cultivada e o coração bem disposto, ninguém se importaria com o exterior.” Nessa narrativa passamos pela infância, juventude e vida adulta de Agnes Grey e percebemos o quanto a personagem cresce e se desenvolve. Aprende com os erros e acertos, e temos um final esperançoso.⁣

Os laços que nos ligam à vida são mais fortes do que a senhorita imagina, ou que imagina qualquer pessoa que não tenha sentido a força com que alguém pode ser arrastado sem se romper. (…) pág. 162

Recomendo muito essa leitura. ⁣

Cursos on-line

Curso on-line “Solidão e Solitude na Literatura e em Outras Artes”

“(…) Temos uma alma que pode se recurvar em si  mesma; ela pode se fazer companhia; tem como atacar e como defender, como receber e como dar; não tenhamos receio de que nessa solidão nos estagnemos em tediosa  ociosidade” (Montaigne).

Nessa semana (até o dia 29/06) estarão abertas as inscrições para o curso on-line “Solidão e Solitude na Literatura e em outras Artes”. Nele vamos mergulhar em textos e em outras artes que refletem a solidão e a solitude no indivíduo moderno.

O curso tem como objetivo analisar algumas obras que dialoguem com a temática da solidão e da solitude.

 

Alguns questionamentos:

– Como a palavra solidão e solitude surgiu no Ocidente?

– De que maneira a Literatura se apropriou desse tema?

– E hoje? Como ainda encaramos a solidão com o advento das grandes metrópoles?

– E até que ponto a solitude pode ser benéfica?

Esses questionamentos e mais serão discutidos no curso.

 

Para mais informações sobre o curso:

https://www.sympla.com.br/curso—solidao-e-solitude-na-literatura-e-em-outras-artes__886158

 

Nos vemos lá,
Agnes Cássia

 

Livros

Grupo Telegram e Newsletter “Estudos Literários”

Oi pessoal, tudo bem com vocês?

Para quem ainda não me segue no Instagram, eu criei um canal do Telegram sobre conteúdos de Literatura.

Lá eu compartilho notícias, textos, análises de contos, romances, e ainda novos cursos e vídeos sobre Literatura.

Para se inscrever, é só clicar nesse link:

https://t.me/joinchat/AAAAAFCas0UNUVMKkv8Brw

E ainda tenho uma newsletter que envio uma vez por mês ou a cada 15 dias para o seu -e-mail.

Ao se inscrever, você adquire um slide com uma análise do conto “A queda da casa de Usher” e um vídeo sobre esse texto.

http://eepurl.com/g0-2oz

Newsletter

Até a próxima!

Agnes

 

 

 

Livros · Resenhas

“Seis passeios nos bosques da ficção” de Umberto Eco

Umberto Eco no livro “Seis passeios pelos bosques da ficção” mostra para os leitores possíveis caminhos para conseguir decifrar os mistérios que envolvem as narrativas, principalmente na relação entre autor e leitor.⁣

2

Nesses passeios, o teórico cita livros que de alguma forma trouxeram desafios mais acirrados para os leitores. ⁣

Primeiramente ele conceitua tipos de leitores e autores. ⁣

📚Leitor empírico: utiliza a sua experiência de vida para as descobertas do texto, esse tipo de leitor usa o texto de acordo com a sua interpretação. ⁣

📚Leitor-modelo: Esse é um tipo de leitor idealizado pelo autor. Aquele que vai em busca de desvendar as camadas do texto, em descobrir as possíveis razões das escolhas do autor.⁣

📚 Autor-modelo: Ele é um voz que fala além do narrador. É o que molda o nossa olhar e nos direciona nos caminhos do texto, utilizando de estratégias textuais de composição e estrutura. ⁣

📚Autor empírico: Ele se assemelha muito ao leitor empírico. É o lado mais pessoal da figura do autor. É quando lemos o texto buscando semelhanças com a vida do autor, focando nessa imagem mais particular.⁣

E diante dessas conceituações de modelo e empírico, observa-se que Umberto Eco dirige o seu olhar sempre no texto e nos diversos efeitos de sentidos gerados. ⁣

Para que o leitor passe pelos bosques é necessário, segundo o teórico, seguir alguns passos:⁣

📚Que tipo de leitor a história quer que eu seja? Como o autor está direcionando o meu olhar para determinadas escolhas feitas por ele?⁣

📚Por que ele seguiu escolha A e não B? Que tipo de estratégias ele usou para chegar nesse final?⁣

📚Identificar os pressupostos a partir das evidências do texto.⁣

E mostra a diferença entre leitores modelos e empíricos:⁣

📚 Empírico: Quem fez isso? (Romance policial)⁣

📚Modelo: Como devo identificar as estratégias do autor-modelo para que a minha leitura faça sentido? Quais são os sinais, pistas deixadas por ele? (Romance policial).⁣

Seguindo esses direcionamentos é que o leitor sabe a sua posição e consegue ter uma leitura que ultrapassa as camadas superficiais do texto.

E você? Em quais situações você já foi um leitor-modelo ou empírico?

91QOrUs9HJL

Livros

Como analisar um texto narrativo?

Sempre que quero ler um texto e tentar decifrar ao máximo os nuances, a estrutura, como o autor construiu a narrativa e gerou determinados efeitos, eu costumo seguir esse checklist. Fazer perguntas para o texto (romance, conto, crônica…) é essencial para identificar os implícitos, o que está em uma camada mais profunda.

Tenho certeza de que a sua leitura será muito mais prazerosa se você seguir esse esquema de análise. Só lembrando que existem vários tipos de análise e você pode moldar a sua leitura da forma como desejar. 😊⁣

Post Bege e Branco de Dia do Trabalho para Instagram

Curso online –  Literatura e Ensino: Como analisar gêneros narrativos e criar sequências didáticas?

 

Minhas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/estudosliterarios1/?hl=pt-br

Twitter: https://twitter.com/estliterarios

Newsletter: https://wordpress.us20.list-manage.com/subscribe?u=59bde6d77b48d99543e90e6d6&id=a03ed327c4

Até a próxima!

Agnes 🙂

Curso Online - Literatura

CURSO ONLINE “LITERATURA E ENSINO: COMO ANALISAR GÊNEROS NARRATIVOS E CRIAR SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS?”

Desde o final do ano de 2019 eu já planejava criar um curso que abarcasse a maioria dos elementos estruturais da narrativa, pois sempre foi difícil encontrar cursos na modalidade online que tivessem um conteúdo que partisse da teoria da literatura, mas que incluísse também a parte prática, em como aprimorar as aulas de literatura em sala de aula, principalmente para o Fundamental II, que geralmente é um segmento não tão visto na questão de projetos de leitura.⁣

Com isso, durante o mês de dezembro inteiro eu me debrucei em estruturar um curso (a ideia inicial era de disponibilizar apenas presencial, pela extensão dos conteúdos), mas percebi que é necessário que mais pessoas tenham acesso e que a internet possibilita essa difusão por um preço acessível.⁣ Veja abaixo os conteúdos do curso e para quem se destina:

1

2

3

4


A plataforma Udemy tem como política difundir cursos online com preços populares para que o maior número de pessoas possam fazer esses cursos sem perder a qualidade. Depois que eu terminei de montá-lo, uma equipe analisou esse curso e autorizou a publicação.⁣

As 4 primeiras aulas estão disponíveis gratuitamente. Você pode acessar o link, assistir as aulas sem compromisso e se você gostar do modelo das aulas e dos conteúdos pode realizar a compra para garantir o certificado. A Udemy tem aplicativo para Android e IOS.⁣

Você terá acesso a mais de 2 horas de aulas em vídeo, material complementar para download, indicações de leituras, um modelo de sequência didática e no final do curso o certificado de conclusão.

Se tiver alguma dúvida, só escrever nos comentários 😊
Até a próxima!

Agnes 🙂

Literatura Russa · Resenhas

“A morte de Ivan Ilitch” – Tolstói

[A morte como alcance da consciência]⁣

” […] Você não vê, mas ele é um homem morto, veja o seus olhos. Não tem luz. […]”⁣

Sim, a vida existiu, mas eis que está indo embora, e eu não posso detê-la. […] Existiu luz e agora é treva. ” (A morte de Ivan Litch)⁣

Observa-se nessa novela de Tolstói em como que a estrutura desse texto e as escolhas do narrador são imprescindíveis para a construção e desenvolvimento do personagem principal. Com um título peculiar já anunciando um “spoiler”, vemos o florescer da consciência no personagem. A narrativa inicia de forma inovadora. O foco está nos diálogos dos personagens que participam do velório de Ivan Ilictch, os olhares, os consolos, a alegria de ver que não foram eles e sim Ivan que está ali no caixão. Isso já sugere que o texto quer trazer uma crítica sútil a essa tema que ainda é um tabu. ⁣

Na segunda parte temos o relato do narrador, contando como foi a vida de Ivan, a sua visão superficial e materialista da realidade, até um fatídico acidente que o levará ao declínio.⁣

Na terceira e última parte, outra mudança…Agora o narrador entrega ao leitor a voz do personagem, seus pensamentos, seus delírios, sua dor diante da realidade. A doença causou-lhe o despertar da consciência; quanto mais perto da morte, mais consciente das suas ações, de suas dores físicas e emocionais. Aqui, os opostos entre luz e escuridão são interpostos. Ivan só enxerga a sua condição quando seus olhos estão desfocados, sem luz, e ele está mergulhado nas trevas. A doença rouba-lhe a vitalidade, mas devolve a sanidade.⁣

É um texto muito bem escrito, minha primeira experiência com Tolstói e com certeza não será a última. Esse tema da morte ainda é sensível de ser conversado entre as pessoas, então a Literatura serve como intermediário nesse assunto. Como nós enxergamos a morte? Será preciso chegar até o estado do personagem, na completa falta de luz para vermos o que está a nossa volta?⁣

Até a próxima!

Agnes

Projetos

#2 Oficina Literária : A mulher e a maternidade nos contos de Lygia Fagundes Telles e Júlia Lopes de Almeida

As festividades estão chegando e nelas o desejo de celebrar o ano que passou, ansiar pelo novo, relembrar as tristezas, as alegrias, os momentos em que permanecemos mais fortes. E com esse intuito, resolvi fazer a #2 Oficina Literária online e gratuita para conversamos sobre Natal e Literatura. Seus símbolos, representações e nada mais justo do que lermos contos de escritoras brasileiras.

Nessa época temos milhares de contos natalinos representando a caridade, o amor ao próximo, o nascimento de Jesus ao redor do mundo. E no Brasil? Como que as escritoras de diferentes séculos enxergavam essa época? Quais eram as dores que elas carregavam? Como as personagens eram representadas?

Essa oficina vai se pautar nas questões da mulher e da maternidade nesses dois contos.

Em Júlia Lopes de Almeida, no conto “Os porcos”, o nascimento será um grande marco na vida da personagem, mesmo diante de todas as repressões impostas pela sua cor e posição.

Já em Lygia veremos a sensibilidade dessa escritora que já me conquistou com sua escrita sensível que atinge de maneira certeira os leitores. Nesse conto, o nascimento já é algo definido, mas a atmosfera do Natal trará uma mensagem que transpassa a nossa noção de como enxergamos a vida. Ambas escritoras trazem nos seus contos características únicas e eu te convido a participar dessa conversa sobre eles. 😊

Para participar é só se inscrever na newsletter por esse link http://eepurl.com/gD7p_H, e quem já está inscrito é só aguardar o e-mail com mais informações. A data já está marcada: dia 20.12.2019 às 18h no YouTube. Espero por você! 🤩

Até a próxima!

Agnes

#oficinaliteraria #literaturacomparada #contos

Literatura Inglesa · Resenhas

“Drácula” de Bram Stoker e a beleza da mulher morta

A representação desse livro na cultura pop e os seus desdobramentos até hoje não são por acaso. A figura do vampiro é um ser que desperta nos leitores muitas sensações de fascínio e terror. Escrito em 1897, por Bram Stoker, Drácula traz muitos temas referentes a época na Inglaterra, principalmente com o espírito do “fim do século” e a ascensão da tecnologia e da aproximação do estrangeiro, do novo sendo um contraste ao tradicionalismo.

O Conde Drácula é uma figura que assusta, que intimida, e mesmo não estando presente em praticamente toda a narrativa, a sua onipresença é constante. Há no enredo uma aura misteriosa, sufocante, principalmente com a presença da neblina, dos sonhos, do morcego e de outros elementos.

Escrito por meio de cartas, diários, notícias de jornais, Drácula além da figura misteriosa do conde, também traz personagens femininas que são em vários momentos o centro da narrativa. Tanto Lucy, como Mina, são mulheres que são vistas pelos personagens masculinos como delicadas, frágeis e como seres de luz.

No momento em que começam as mudanças, principalmente em Lucy, uma jovem muito apreciada pelo grupo, há uma mudança na visão da personagem. O ato de se transformar aos poucos em um ser demoníaco ao mesmo tempo que encanta por sua beleza e sedução, proporciona momentos de terror aos personagens e isso só é encerrado quando o grupo de personagens atacam-na. Antes, logo quando a personagem parece “morta” é nítida a adoração que se tem diante da beleza da personagem e da cor branca representando a pureza. Se pesquisarmos em outras obras veremos que esse tema é recorrente. “Ofélia” de Hamlet, por exemplo, traz esse estigma da mulher enquanto morta representar a beleza divina, a pureza, como se os sofrimentos passados e o acesso de loucura da mesma não tivessem importância. Ela é imposta como um objeto a ser admirado, como ideal.

Já em Drácula, vemos a beleza de Lucy sendo exaltada diante do túmulo:
“Fomos juntos até o leito e erguemos a mortalha do rosto dela. Deus! Como estava linda! Cada hora parecia acentuar sua beleza. Aquilo me deixou um tanto assustado e espantado.”

E você? Conhece alguma obra sobre esse tema?

Até a próxima!

Agnes

Literatura Inglesa · Resenhas

“A dama no espelho – uma reflexão” de Virgínia Woolf e o realismo

Escrito em 1929 em uma fase mais experimental de Woolf, esse conto inicia com um narrador peculiar. Ele se impõe como “one” que na nossa língua refere-se ao “nós” ou como “a gente”. Sugerindo assim um narrador em terceira pessoa mais algum desconhecido, talvez.

74338064_3031498200407847_4367416591724199517_n

O mais interessante é que esse narrador descreve somente os objetos, com ênfase ao espelho, e os espaços e só depois que seremos apresentados a protagonista Isabella, uma senhora de idade, rica que vive nessa casa com um belo jardim.

 

73323492_145848213449333_7816384645809170204_n
Porém, nessa atmosfera cotidiana, esconde-se algo importante e essencial. Aqui, Virgínia Woolf faz uma crítica ao realismo e a descrição exacerbada do ambiente em detrimento aos estados mentais da personagem.

As obras da escritora são pautadas nesse rompimento com o tradicionalismo, com essa visão plastificada da realidade. Em consequência disso, apenas no final do conto que teremos um vislumbre da psique da personagem: “Aqui estava mulher em si. (…) E não havia nada. Isabella estava perfeitamente vazia.” Essa concepção vem de encontro também com um ensaio escrito pela mesma chamado “Mr Bennett e Mrs. Brown”, em que a escritora crítica os escritores da época por não valorizarem os estados mentais dos personagens, dando mais importância ao ambiente: “Eles reproduzem todas as aparências externas (…). A coisa mais importante é compreender o seu caráter, mergulhar na sua atmosfera.”

 

E vocês? Concordam com Virgínia Woolf? Que é necessário que os escritores destaquem mais os estados mentais dos personagens, do que a descrição dos espaços? 😊

Até a próxima!

Agnes 🙂